O que você precisa saber sobre esterilização de equipamentos para tatuar

Tatuar envolve o contato com sangue e fluidos corporais dos clientes, os quais podem conter doenças como herpes, hepatite, sífilis e HIV. Por isso, os estúdios devem prezar pela limpeza de seus equipamentos para tatuar e evitar riscos à saúde, tanto do tatuador quanto do cliente.

Todos os materiais precisam passar por processos de desinfecção, esterilização e proteção contra a contaminação por bactérias e fungos. Isso inclui a bancada, as cadeiras e todas as outras superfícies de contato.

Os instrumentais também necessitam de limpeza com o uso de desinfetantes cirúrgicos e álcool 70%. Já os materiais reutilizáveis devem ser esterilizados por meio de processos e equipamentos específicos.

Confira, neste post, algumas dicas sobre a importância da esterilização dos equipamentos para tatuar e garanta a qualidade e a segurança do seu estúdio.

Possíveis riscos biológicos com uso de material mal conservado

Existem diversas doenças e complicações que podem ocorrer com o uso de material mal conservado ou mal esterilizado nos estúdios de tatuagem. Veja algumas delas a seguir.

Infecções

Equipamentos para tatuar estão em constante contato com o ar e também com o sangue e os fluidos corporais dos clientes, que podem conter microrganismos infectantes.

Por isso, todos os materiais devem ser devidamente esterilizados, limpos e desinfetados para evitar doenças diversas. O herpes, o tétano, as infecções fúngicas, a hepatite, a tuberculose e o HIV constituem algumas delas.

Reações alérgicas

Cada cliente possui o seu próprio funcionamento orgânico e, embora seja pouco comum, alguns organismos podem ser suscetíveis a reações alérgicas após a realização de tatuagens, devido à constituição química das tintas utilizadas, que varia conforme a marca.

As complicações alérgicas podem ser manifestadas por inchaço da região pigmentada, comichão ou prurido (sensação desconfortável na pele) e liberação de sérum (líquido transparente).

Problemas mais graves e raros envolvem a anafilaxia, com a diminuição da pressão arterial, a taquicardia, as perturbações na circulação sanguínea e até mesmo o choque anafilático, o qual pode levar ao óbito.

Quando os materiais utilizados durante todo o processo de criação da tatuagem não são devidamente conservados e esterilizados, os riscos à saúde do tatuador e dos clientes podem ser inúmeros. Por isso, é imprescindível atentar para a assepsia dos materiais e da infraestrutura do estúdio.

Desinfecção de bancada e superfícies

Bancadas, macas, cadeiras e toda superfície que o tatuador entra em contato durante o procedimento devem ser desinfetadas com álcool 70% e papel toalha. Não use panos de limpeza ou toalhas de tecido, já que elas podem causar contaminação cruzada.

Os utensílios que ficam sobre a bancada — tintas, borrifadores, máquina de tatuar etc. — devem ser cobertos com plástico PVC para evitar a contaminação. Essa proteção deverá ser trocada a cada término de sessão.

Uma dica: evite tocar em materiais que não estão protegidos com o PVC. Caso isso ocorra, será preciso trocar as luvas.

Desinfecção de materiais reutilizáveis

Os materiais reutilizáveis, como biqueiras de tatuagem, hastes de agulhas e instrumentos de piercing, devem ser limpos com o uso de escovas normais e interdentais, além de detergente cirúrgico, encontrado nas lojas especializadas em material médico.

Após essa limpeza, eles devem ser colocados na cuba de ultrassom, em um ciclo de oito minutos, conforme orientação do fabricante. Depois da desinfecção, eles deverão ser esterilizados.

Esterilização de materiais reutilizáveis com uso de estufa

A estufa usa vapor seco e sem pressão no processo de esterilização. O trabalho é feito em ciclos de duas horas, a uma temperatura de 170 graus. O processo não pode sofrer nenhuma interrupção, como a abertura de porta ou a queda de energia. Caso isso ocorra, todo o ciclo deverá ser reiniciado para garantir a esterilização.

É necessário ter um termômetro extra — a ser colocado sob o furo na parte superior do equipamento — para aferir a temperatura e verificar se ela está adequada. O termômetro interno não realiza essa medição com precisão.

É preciso também fazer o controle biológico para monitorar se a esterilização está realmente acontecendo. Para isso, usa-se uma fita zebrada, encontrada em lojas de material cirúrgico.

Esterilização de materiais reutilizáveis com uso de autoclave

A autoclave usa calor úmido sob pressão para matar microrganismos, sendo mais prática, precisa e segura que a estufa. Necessita de um ciclo curto, de 30 minutos, para que a esterilização esteja completa.

Outra vantagem é que o equipamento emite um sinal sonoro caso algo errado aconteça e o processo precise ser reiniciado.

O recurso também precisa de controle biológico. Nesse caso, deve-se comprar indicadores para autoclave, que também são encontrados nas lojas de material cirúrgico.

Cuidados após a esterilização

Após serem esterilizados, os equipamentos devem ser guardados em recipientes limpos e com tampa. É importante manter os sacos de esterilização até o momento do uso. Quem responsabilizar-se pelo procedimento precisa utilizar luvas para evitar contaminar os materiais.

É necessário fazer um registro de todas as esterilizações, o qual deve ser mantido por dois anos para fins de fiscalização da vigilância sanitária.

Descarte de resíduos

Todo o resíduo resultante do processo de tatuagem deverá ser coletado em plástico branco leitoso e encaminhado ao serviço de coleta de materiais de saúde.

É imprescindível que as agulhas, as lâminas e os materiais perfurocortantes sejam armazenados em coletores próprios — caixas amarelas com aviso de risco biológico — e entregues em qualquer posto de saúde.

Esses são cuidados obrigatórios e necessários para garantir a sua segurança e a de seus clientes. Além da desinfecção e da esterilização corretas dos equipamentos para tatuar, fique atento aos procedimentos de segurança individual: sempre faça o uso de luvas e máscaras descartáveis e procure, no centro de saúde mais próximo, a vacina contra a hepatite B.

Normas para uso de equipamentos descartáveis — ANVISA

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) estabelece algumas regras para o uso de equipamentos descartáveis, as quais precisam ser devidamente cumpridas para funcionamento de estúdios de tatuagem. Veja, a seguir, as principais delas.

  • todos os produtos utilizados devem possuir o registro da ANVISA ou órgão competente;
  • é necessário que as tintas sejam de uso individual e ocorra o descarte delas após a utilização;
  • todos os equipamentos e materiais reutilizáveis devem ser limpos, desinfetados e esterilizados;
  • os produtos empregados na higienização precisam ser devidamente acomodados e possuir o registro no Ministério da Saúde (MS);
  • materiais que têm contato com a derme não podem estar em contato com a embalagem original de tinta;
  • luvas, agulhas, lâminas e outros materiais de raspagem de pelos devem ser de uso pessoal.

Armazenamento de ferramentas no estúdio

O acondicionamento adequado de equipamentos de tatuagem entre uma aplicação e outra é crucial para a qualidade do serviço prestado, tanto para evitar os riscos biológicos quanto para manter a integridade dos mesmos.

Para isso, procure:

  • estocar os equipamentos em armários fechados, em ambiente limpo, livre de poeira e umidade;
  • evitar a estocagem em locais próximos a pias, tubos de drenagem e água;
  • dispor os móveis e equipamentos de forma a manter espaço suficiente para circulação.

Os cuidados com os equipamentos para tatuar devem ocorrer antes, durante e após sua utilização, uma vez que eles representam os principais riscos para a saúde dos tatuadores e de todos os clientes. Aplique as dicas mencionadas e garanta a perfeição do serviço prestado em seu estúdio de tatuagem!

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